Saturday, October 20, 2007

Outro olhar sobre a morte

Não tenho medo de morrer. Tenho apenas medo de não viver, enquanto vivo. De viver morta. De perder oportunidades que nunca mais voltam, por cobardia, ou por preconceitos. Por medos, por «ses» suspensos na alma...
Tenho medo, porque já perdi pessoas que amava, que adoravam viver e partiram, antes do tempo. Partiram sem ter vivido muitos sonhos interrompidos.
Tenho medo de não viver as relações mais significativas da vida com o amor que elas merecem, porque já sei como dói a saudade de perder a oportunidade de dizer: «Eu amo-te, tal como és». Sei como queima a saudade de não poder ver, tocar, sentir a proximidade física de além que partiu para a eternidade.
Não tenho medo de morrer, porque já senti a morte a rondar-me e percebi que é apenas um nome. Algo que termina mal nasce, levando a nossa energia vital para outra dimensão. Acredito na imortalidade da alma, na certeza de uma continuidade, mas sei que a oportunidade de viver com um corpo é um dom, um presente e não apenas um acaso. Hoje percebo que ambos: corpo e alma, precisam de alimento.Tal como sei que um beijo sem corpo é uma miragem e que um beijo, sem alma, é uma mentira. Por isso quero ambos, corpo e alma, VIVOS....
Um dia, quando morrer, gostava de ter vivido com tanta intensidade e liberdade interior que pudesse ter o direito de deixar esta mensagem,cuja autoria é atribuída a um nativo americano desconhecido, na minha sepultura:

Não pares junto à minha campa a chorar,
Porque não estou lá.
Não estou adormecido.
Sou os mil ventos que sopram,
Sou o brilho do diamante na neve,
sou a luz do sol, na semente madura,
Sou a chuva branda de Outono.
Na quietude macia da luz matutina
Sou a ave que voa veloz.
Não pares junto à minha campa a chorar,
Eu não estou lá,
Eu não morri.

1 comment:

Andreia said...

Este é um tema que nos uniu numa amizade sem barreiras... distantes, mas com o coração unido pela dor da saudade!
Concordo com as tuas palavras... Infelizmente muitas vezes parecemos simplesmente andar pelo mundo, sem aproveitar a vida, sem viver a vida!
Acredito que se vivêssemos cada dia como se fosse o último, seriam dias vividos com muita alegria, carinho, sem medo de dizer sim às oportunidades, com vontade de lutar por um "hoje" diferente, sem esperar por um amanhã mágico. Diríamos, sem dúvida, todas as palavras de afecto e amor àquelas pessoas mais importantes da nossa vida, sem medo de um dia não as ter dito…
Acredito vivamente que os problemas do dia-a-dia devem ser sempre resolvidos no mesmo instante, para que o sorriso daqueles que mais amamos não esmoreçam... para que um simples mal entendido não seja motivo de um adeus permanente porque pode não ter tempo de um novo olá, porque a vida também tem limite...
O que é certo é que nós estamos constantemente a criar novos sonhos... Atrevemo-nos a viver alguns, temos medo de viver outros, mas estamos constantemente a sonhar! O Sonho faz parte da Vida, sendo para mim um dos ingredientes mais importantes para uma vida feliz… mas só quando nos atrevemos a pôr em prática o principal sonho de sermos felizes fazendo felizes todos aqueles que amamos…
No entanto, só quando deixarmos de ser tão egocêntricos, é que vamos conseguir, sem dúvida, dar valor à vida vivendo cada dia como se fosse o último...
Um beijinho grande da tua prima e amiga,
Andreia Santos