Não preciso de fazer grandes comentários. O poema que se segue, cuja autoria desconheço, mas que é um dos meus favoritos, diz tudo o que gostaria de dizer e praticar. Na vida optamos, muitas vezes, demasiadas vezes, por não tentar, não ousar, não arriscar... não fazer. Temos medos. Temos preconceitos. Temos prisões. Ficamos no meio da ponte, seguros e sem escolha. E , depois, em vez de vivermos...quase vivemos...
Quase…
Ainda pior que a convicção do não,
e a incerteza do talvez,
é a desilusão de um quase!
É o quase que me incomoda,
que me entristece,
que me mata
trazendo tudo o que poderia ter sido
e não foi.
Quem quase ganhou, ainda joga;
quem quase passou, ainda estuda;
quem quase amou, não amou!
Basta pensar
nas oportunidades
que se escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas ideias que nunca sairão do papel,
por essa maldita mania
de viver no Outono.
Pergunto-me, às vezes,
o que nos leva a escolher
uma vida morna.
A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância
e na frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "bom dia",
quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem
até para ser feliz.
A paixão queima;
o amor enlouquece;
o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos
para decidir entre a alegria e a dor.
Mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo,
o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira,
não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio
que cada um traz dentro de si.
Preferir a derrota prévia
à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão;
para os fracassos, chance;
para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma.
Um romance cujo fim
é instantâneo ou indolor,
não é romance.
Não deixes que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.
Desconfia do destino
e acredita em ti.
Gasta mais horas
realizando, que sonhando...
fazendo, que planeando...
vivendo, que esperando...
Porque,
embora quem quase morreu esteja vivo,
quem quase vive, já morreu...
Tuesday, October 9, 2007
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1 comment:
Sem duvida um bom texto de motivaçao. Durante muito tempo foi atribuido a Luis Fernando Verissimo mas o proprio confirmou que a verdadeira autora é Sarah Westphal Batista da Silva.
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